1 – Introdução

                                                                         Introdução

      Na ilha de Santiago, Cabo Verde, cidade da Praia, na zona de Achadinha, zona problemática apesar de alguns dos seus bairros serem frescos e acolhedores, iniciaram as aulas, numa manhã de quarta-feira, no Pólo Educativo. As crianças estavam eufóricas com o primeiro dia de aulas. Acompanhadas pelos pais, não disfarçavam nem um pouco a alegria estampada nos seus rostos por poderem conhecer novos amigos e o professor.

      Na sala de aula, todos estavam a exibir os novos materiais escolares, com o professor a tentar acalmar os ânimos exaltados. A seguir ao toque do sino, eis que uma onda de alegria contagiante invade o pátio da escola, acompanhada de muita correria e brincadeira.

      No meio de tanto barulho ouve-se uma voz suave a gritar:

–        Ai, ai!

      No centro do pátio encontravam-se no chão duas crianças que se esbarraram na correria, o menino, um rapaz muito meigo e simples, perguntou:

–        Machucaste?

A menina, de pele morena e olhos castanhos, desatou a chorar e não respondeu.

      Na tentativa de consolar a menina que chorava cada vez mais, o rapaz passou a mão pelos seus cabelos longos e crespos e perguntou:

–        Estás bem?

–        Estou, mas dói um pouco. Disse a menina.

–        Onde?

      A menina levantou a cara e disse:

–        O meu joelho.

      Com a ajuda do menino, ela levantou-se com os seus olhos castanhos chorosos e disse:

–        Chamo-me Catarina. E tu?

–        Diogo. Ah! Tu não és a filha da dona Teresinha e do senhor Timóteo Delgado?

–        Sim sou, mas como é que sabes?

–        É que eu também moro na Achadinha, perto da Padaria Chicote. Não te lembras de mim? Sou filho do Nelson Bento e da Maria de Fátima.

–        Desculpa, mas não me lembro. É que não saio muito de casa.

      Dois anos mais tarde, já com dez anos de idade, Diogo e Catarina estavam a brincar no pátio da escola, numa relação de muita amizade e cumplicidade, quando chegou um colega a provocar o Diogo:

–        Diogo, andas sempre com a Catarina. Ainda ela te põe a brincar com bonecas.

      Catarina, uma menina meiga, inteligente e dona de um olhar que mostrava serenidade, mas muito aborrecida, perguntou ao Diogo:

–        Porque não lhe dizes nada? Às vezes, essa tua calma irrita-me!

      Diogo, agora um rapaz de estrutura média e com uns lindos olhos pretos, pegou na mão da Catarina, meigamente e, dirigindo-se para a sala de aula, disse:

–        Não lhe ligues; o que ele tem é inveja da nossa amizade!

     E, no fim das aulas, ao saírem da escola, Diogo perguntou à Catarina:

–        Então, vais à Assomada com a minha família?! A minha mãe ligou para a tua a convidar.

–        Eu sei. E ela disse que posso ir. Ela vai levar-me à tua casa às três horas.

–        Que bom! Iremos divertir-nos como sempre.

      Às três horas, a Dona Maria de Fátima levou a Catarina à casa da Dona Teresinha para que fossem à Assomada.

     Como era de esperar, os meninos divertiram-se muito e compartilharam os seus segredos, alegrias, tristezas e angústias. À noite regressaram a casa muito cansados.

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