De mãos atadas

De mãos atadas

 

O romance juvenil De mãos atadas, da série “Sinal Aberto”, torna transparente uma das principais mazelas brasileiras: a violência como produto da gritante desigualdade social. O autor do livro, Álvaro Cardoso Gomes, é natural da cidade de Batatais, interior do Estado de São Paulo e estreou na literatura em 1978, com “A teia da aranha”, publicado pela Ática. Em 1982, ele venceu o prêmio Nestlé de Literatura, com o romance “O sonho da terra”.
No enredo de De mãos atadas, Lico, um jovem favelado, aceita participar do sequestro dos dois filhos do empresário Luís Carlos. Um abismo separa a realidade dos dois personagens.
Ao tecer essa narrativa, as maiores preocupações de Álvaro foram evitar o tratamento melodramático e paternalista do tema e conseguir traduzir a história numa linguagem que não se distanciasse do linguajar dos marginalizados. “Tomei esse cuidado por dois motivos. Em primeiro lugar, acredito que seria muito perigoso dar uma visão emocional do tema, correndo o risco de alienar o leitor, de não fazê-lo refletir criticamente sobre uma realidade dolorosa. Em segundo lugar, se a minha linguagem, que é imitação da linguagem dos marginais, conseguir convencer o leitor, tenho certeza absoluta de que o atrairá mais facilmente para dentro da história”, afirma o autor.
Sobre a complexidade da personalidade de Lico – que se sente culpado por se envolver num seqüestro, mas sabe que está sendo levado a ele por falta de alternativas e para satisfazer desejos típicos dos adolescentes -, ele acredita que cair na criminalidade não é só um problema da índole de cada um.

“É algo mais complicado do que isso porque envolve ambiente, educação familiar, condições socioeconômicas etc. Aliás, o caso de Lico é bastante especial, porque o seu sentimento de culpa diz respeito não só à sua boa índole, como também à educação dada pela mãe, que é pessoa das mais dignas”.
Outro aspecto polêmico do livro são as passagens em que menores experimentam diferentes tipos de drogas. O escritor paulista acredita que a literatura juvenil pode – e deve – atuar na conscientização dos leitores acerca do risco inerente ao consumo de drogas. “Nunca devemos nos portar como avestruzes, escondendo a cabeça para não ver o problema ou falar dele”, assegura. “A droga está aí, com todas as implicações que traz, e é dever de educadores e escritores alertarem sobre seu real perigo.”

 

 

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