Silvio Alexandre Fonseca

NOME DA OBRA: NOITE DE VENTO (NUIT DE VENT)
AUTOR: António Aurélio Gonçalves
GÊNERO: Novela
EDIÇÃO: SÉPIA (Abril de 1996) nº d´imp.603.

Estou a ler a obra “NOITE DE VENTO”, de António Aurélio Gonçalves. Antes de mais queria fazer uma breve biografia do autor que nasceu em S. Vicente em 25 de Novembro de 1901 e morreu no dia 30 de Novembro de 1984, vítima de um acidente de viação (atropelamento). “Nhô Roque” como era conhecido estudou em Portugal, e uma das particularidades do autor é que ele teve muitas profissões que passo a citar: escritor, crítico, historiador e professor cabo-verdiano. Já em Portugal depois de terminar os seus estudos liceais em Cabo Verde (seminário de S. Nicolau), ele frequentou os cursos de Medicina (2 anos), Belas Artes, História e Filosofia, mas foi como professor que mais se destacou pelo carinho e simpatia que sempre demonstrou aos seus alunos e pessoas das ilhas. Com a notícia da sua morte, S. Vicente conheceu um dos dias mais negros da sua história, com todos a chorarem pela alma que perderam e que sabiam que seria muito difícil de ser substituída (relatos da minha avó), e que foi imortalizada pela bonita morna cantada pela voz de Bana (sodade de Nhô Roque).

Sobre a obra quero partilhar a novela: O enterro de Nhâ Candinha Sena (91-118).
Os personagens principais são: Cristiano e Nhâ Candinha Sena.
A novela fala do cortejo fúnebre, dos hábitos que os Cabo-verdianos têm quando frequentam os lugares onde morre alguém (casa de morte). O acontecimento da morte de Nhâ Candinha Sena tem lugar antes do relato da sua vida. Aliás, sistema muito utilizado para suscitar a curiosidade do leitor (analepse), a forma como o autor vai dando a conhecer a história da personagem, as peripécias da sua vida e as histórias passadas entre ele e a personagem principal, faz com que o leitor tenha mais vontade de ler. Outro factor importante é como o autor faz a descrição dos personagens da obra e dos lugares, podemos dizer que é dum realismo impressionante, o que faz com que mesmo uma pessoa que nunca tenha estado em S. Vicente, ficar com a impressão de conhecer os lugares descritos, a descrição as vezes é mesmo um pouco exagerada (na minha opinião). Do conhecimento que tenho do autor, posso dizer que isto é uma influência que ele sofreu do escritor português Eça de Queiroz. Na minha opinião a obra é muita boa porque para além de conhecer e de gostar muito do António Aurélio Gonçalves, é uma obra que fala da minha ilha (S. Vicente), e ao ler o enterro de Nhâ Candinha Sena, tive a sensação de ter vivido a história juntamente com o autor e os personagens, isto porque conheço muito bem cada lugar descrito na novela.

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