G 3

Já passava das dez da noite e a mãe do Bruno estava preocupada porque o marido não tinha voltado, mas ao mesmo tempo aliviada por gozar algumas horas de paz naquela casa.

De repente ouviu um barulho lá fora e o marido entrou de seguida embriagado, sujo e começou a quebrar os móveis que escaparam à sua fúria numa outra ocasião.

– O nosso filho voltou, Paulo – disse ao marido.

Ele não deu ouvidos à mulher. Continuou a quebrar tudo o que encontrava pela frente. Ela insistiu e ele ficou ainda mais furioso. Então começou a bater na mulher, mas só que naquele dia não parou e Bruno presenciou tudo como se estivesse a assistir um filme de terror.

Na tentativa desesperada de deter o pai, apanhou um vaso e atirou-o às costas dele e como resposta levou uma bofetada. Entretanto, o pai volta-se para a mãe e continua a agredi-la.

Naquele dia, a surra foi tão violenta que Júlia desmaiou. O filho desesperado saiu porta fora a gritar por socorro.

Felizmente, naquele dia, os vizinhos acudiram-nos. Ao ver o estado da mãe, Bruno assustado desatou a gritar, sem saber o que fazer. Júlia foi hospitalizada mas, o prognóstico era muito reservado.

Bruno recebeu a triste notícia de que a mãe tinha falecido às cinco horas da tarde do dia seguinte. Segundo lhe disseram: “infelizmente, não resistiu aos ferimentos”.

E o pai foi detido, embora tarde demais para Bruno e a pobre mãe.

Desesperado saiu a correr, sem rumo e só parou na praia de Quebra Canela. Ainda chorava e gritava desesperadamente, quando um rapaz um pouco mais velho do que ele se aproximou e perguntou-lhe o que se passava. Ele todo tristonho, com os olhos inchados de tanto chorar, disse que acabara de perder a mãe, que fora espancada pelo seu próprio pai, e que estava sozinho no mundo, sem nada e sem saber o que fazer da vida dele.

Então o rapaz disse-lhe que se chamava Tiago e que não tinha pais, nem familiares e que tinha saído de casa aos 7 anos, porque a mãe se prostituía.

Tiago apesar de não ser educado no seio de uma família, era um rapaz esperto e meigo. Com 9 anos, não sabia quem era o pai, e estava entregue à sua sorte, tendo que trabalhar para poder sobreviver. Ele confessou ao seu novo amigo Bruno que não era fácil viver na rua e muitas vezes questionava se um dia haveria mudanças ou encontraria outro rumo.

Tiago pediu ao Bruno que o acompanhasse. Embora não tivesse um lar, tinha um lugar para ele ficar. Morava num pardieiro abandonado no bairro do Brasil. As portas, as janelas e a cama eram de papelão e alguns ramos faziam vez de cobertura. Para se sustentar, lavava carros, ajudava a arrumar as compras no supermercado Calú e Ângela e como paga recebia frutas, pães, yogurtes, entre outros produtos alimentícios.

 

 

 

Participantes:

Ana Bela

Celisa tavares

Raquel Duarte

Verónica Garcia

Lenira tavares

Júlio Ferreira

 

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s